Feito é Melhor que Perfeito ou Apenas um Manifesto para o Desleixo Gourmet?

Feito é Melhor que Perfeito ou Apenas um Manifesto para o Desleixo Gourmet?

Ah, falar na frente da câmera... que deleite, não é mesmo? Para alguns "gurus" da internet, parece ser tão simples quanto um passeio dominical no parque — desde que, é claro, você não se dê ao trabalho de se preocupar com meros detalhes irrelevantes, como a ordem das palavras ou, vejam só que ousadia, o sentido delas.

Sim, estou sendo sarcástica. Mas é um sarcasmo necessário, quase medicinal, para que você, meu caro leitor, minha cara leitora, comece a questionar essa "sabedoria" mastigada que é vendida em cada esquina digital. Estamos vivendo a era da hipercomunicação, onde bilhões de vídeos são arremessados na rede todos os dias.
Teoricamente, qualquer um com um retângulo de vidro no bolso pode ser um mestre do audiovisual, certo?

Só que não. Basta um olhar minimamente crítico — apenas um milímetro acima da superfície — para perceber as "pérolas" que nos são oferecidas em enxurradas. O resultado? Uma audiência com expressão de deslumbramento apático, tentando decifrar
o que diabos acabaram de assistir.
É o triunfo do "fazer de qualquer maneira", do "falar qualquer coisa" e do "aparecer por aparecer".

Permita-me ilustrar essa mentalidade com um pequeno "causo" que aconteceu aqui nos bastidores da Pixel e Papel, antes de eu colocar ordem na casa.

Imagine uma alma iluminada, embriagada pela crença de que o planejamento é o inimigo da espontaneidade. Ela decidiu que hoje é o dia de sua grande live. 
A paixão é contagiante! Afinal, por que perder tempo com um roteiro se ela "domina o assunto"?

Ela posiciona o celular, ajeita o cabelo e aperta o botão de transmissão. No início, é uma explosão de energia. Mas, como “a pessoa” não se deu ao trabalho de ter um Plano A (quem dirá um B ou C), o resultado aconteceu: o silêncio constrangedor.

Ela se perde nas próprias frases, as ideias se atropelam como carros em um engarrafamento em dia de chuva, e a mensagem... bem, a mensagem vira um quebra-cabeça montado no escuro.

O público que esperava um banquete de conhecimento recebe apenas o ruído de alguém tentando se encontrar enquanto fala. É o pandemônio da falta de método.

O Pincel Cego ea Tela Muda

Pense agora em um artista diante de uma tela em branco. Ele tem as melhores tintas e uma paleta de cores vasta. Mas, na hora de pintar, ele decidiu que a técnica é uma "prisão". Ele joga a tinta de longe, fecha os olhos e ignora o contraste, a luz e a sombra.
O que poderia ser uma obra-prima torna-se um borrão indistinguível onde as cores não conversam, elas gritam umas com as outras.

A tecnologia nos deu pincéis digitais incríveis. Hoje, gravar um vídeo é infinitamente mais fácil do que há 20 anos.
Mas a comunicação é eficiente? 
Ah, essa eficiência continua dependendo das virtudes "antiquadas": planejamento, pesquisa, senso e preparo.

As Dores do Artista Digital (Ou por que você trabalha)

Eu sei o que você está pensando: "Chris, não é que eu queira ser desleixado, é que a câmera me assusta!". Eu entendo. O medo do julgamento é um monstruoso que alimenta nossa insegurança.


Além disso, há o labirinto técnico. Onde diabos colocar a luz para não parecer um vilão de filme de terror? Como usar o microfone de lapela sem que ele capture apenas o roçar da sua camisa? E o enquadramento?
Às vezes, o vídeo parece um registro sobre a segurança de um elevador, e não uma peça de comunicação elegante.

Essas dificuldades técnicas, somadas à barreira psicológica de encarar uma lente fria como se fosse uma pessoa, são os ingredientes perfeitos para o desastre. Mas não precisa ser assim.

O Caminho da Obra-Prima: O Método Pixel e Papel

Para que sua mensagem seja entregue como um prato irresistível e saboroso, você precisa de um método. Não é sobre ser perfeito, é sobre ser claro. Aqui está o mapa da mina para você sair do "qualquer jeito" e entrar no "jeito certo":

1. O Roteiro (O Mapa, não o Script)

Esqueça a ideia de escrever cada vírgula que vai dizer. Isso vai te deixar robotizado.
Crie um roteiro de tópicos. Defina o ponto de partida, o meio (onde você resolve a dor do seu público) e o destino final. 
O roteiro é sua rede de segurança; se você se perder, ele te traz de volta para o caminho.

2. O Ensaio Tático

Grave um teste. Sim, você vai detestar sua voz na primeira vez — é clássico.!
Mas use esse vídeo para corrigir o que as palavras não dizem. A luz está estourada?

O microfone está abafado? Sua postura é defensiva? Mude as palavras de pronúncia difíceis. Observe sua expressão facial. Se você parecer que está sofrendo, seu público sofrerá com você. Ajuste o tom, o volume e a velocidade.

3. A Gravação (O Café com a Amiga)

Na hora do "valendo", esqueça que existe uma lente ali. Imagine que você está conversando com aquela sua amiga inteligente, em um café aconchegante.
Fale com ela, não para ela. O tom de conversa tira o peso da performance e traz
as desvantagens que o público tanto deseja, e cá pra nós, precisa.

Conclusão: O Brilho que vem de Dentro (e do Preparo)

A ironia da vida moderna é que muitas vezes somos agraciados com vídeos de “especialistas” que sequer saberiam soletrar a palavra “perfeição”, mas que dominam
a arte de enganar os desatentos. Não seja um deles.

Quando se deparar com uma câmera, lembre-se: a melhor tela precisa de um artista habilidoso. Sua mensagem precisa de criatividade e de uma ideia bem definida para brilhar. 
Fazer de qualquer jeito não é o caminho para o sucesso; é apenas o atalho para o esquecimento.

Seja autêntico(a), esteja preparado(a) e, acima de tudo, seja o mestre da sua própria narrativa.

Lembre-se: "A câmera não é sua juíza; ela é apenas uma janela que está ansiosa para mostrar sua luz e seu talento ao mundo."

 

Voltar para o blog

Deixe seu comentário

Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação